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Cosmopolítica

Ilana Alencar


Todos os navios tem ratos…


O que acontece essa semana ao presidente (com letras bem minúsculas mesmo) com pífios 3% de aprovação e prestes a enfrentar a segunda denúncia de prática de crimes, desta vez, com ainda mais substância que a primeira e com a mesmíssima desfaçatez, decalca a atitude já conhecida dos nossos políticos, passam a desqualificar o denunciante (Janot) e a denúncia e repetir a cantilena de que não há provas, mesmo que esteja recheada de vídeos, áudios, provas documentais e testemunhais em número mais do que suficiente para criar, ao menos, a dúvida acerca de sua veracidade que autorize o prosseguimento do processo.

Observe-se que não é necessário que a culpa do presidente fique provada agora, somente que existem indícios, indicativos de que é possível que os crimes tenham ocorrido (materialidade) e que tenham sido praticados pelo presidente (autoria), as provas serão discutidas em sua ocasião e forma apropriadas, durante o processamento.

Existe um princípio de processo penal que rege este momento de propositura que é o “in dubio pro societatis” ou em bom português, "na dúvida em favor da sociedade", o que isso quer dizer afinal? Simplesmente que diante de uma denúncia, se há dúvida sobre a sua consistência, que se prossiga em favor da sociedade que precisa ver esclarecidas as situações criminosas, afinal, é melhor que se processe e investigue a fundo, dando ao réu todas as garantias legais e afinal se puna ou não de acordo com o que se provar.

Então, nesse caso, na dúvida se houve crime, que se apure, se existem indícios de que o presidente praticou condutas criminosas, que se investigue pelo bem do Brasil!!!! Ninguém acredita mais nessa balela de que o país não aguenta mais um tranco, ou que não compensa fazer um eleição sobre a outra, ora, o país não suporta é permanecer com a lama acima do pescoço e fingindo que nada houve ou se viu! Pior pra todos!

A principal questão é que uma vez permitido o curso dessa denúncia, que então passa a ser ação penal propriamente dita e que de imediato vaga a presidência do Brasil, assume interinamente Rodrigo Maia, o nosso presidente da câmara que começou a mostrar que sua carinha bonachona e atitude cordata esconde um pouco mais de talo do que inicialmente mostrado.

Por ocasião da primeira denúncia, a distribuição descarada de emendas, cargos, favores e derrame de dinheiro geral, mostrava um Rodrigo Maia de fidelidade canina e face plácida, trabalhando pela permanência do presidente de forma silenciosa e ininterrupta… Não mais.

Temer é péssimo com gente, com aliados então, nossa, nunca agrega ninguém, a não ser a custa de muitos favores, e desagrega (ou perde para a prisão com muita rapidez… Geddel que o diga!). Cada vez mais isolado em sua histórica impopularidade histórica, o Presidente agora arranja briga com o seu possível sucessor e alguém que colheria frutos diretos com seu afastamento. Não sei se é esperto de sua parte… Bem que poderia acontecer uma reviravolta bem hollywoodiana e o Rodrigo Maia se mostrar o maior articulador dessa grande trama, descartamdp o Temer para assumir a república até a finalização das eleições, estou sim com inspirações iconoclastas afloradas kkkkk.

Falando sério, o custo do arquivamento dessa segunda denúncia pode ser muito alto, tanto de forma literal (outra derrama de dinheiro público, feita às escâncaras e com agenda oficial divulgada, estimada em 1 bilhão de reais por mês no ano de 2018, para estancar essa sangria política é preciso realmente muito dinheiro) como de forma figurada perde-se moralmente a referência, não há meio de ganhar ao se ver o balcão de negócios que essa situação virou, em ver um presidente desesperado por sua permanência, comprando as almas dos deputados como se o próprio diabo fosse e, por fim, ver arquivada novamente a denúncia. Nesse jogo de perde-perde, só temos que esperar que as lealdades compradas se desfaçam e se rompa a farsa… Infelizmente é muito difícil acreditar nisso.

Todos os navios tem ratos, faz parte de sua natureza, o problema é fazermos carregamento de ratos, e achar quem escape é cada dia mais difícil…




O preço da covardia e o “jeitinho brasileiro”


Então o STF determina a Aécio Neves o afastamento do Senado e o recolhimento noturno (WTH?), além de retenção de passaporte e outras sanções acessórias. Ocorre que o guardião da Constituição Federal “criou” uma nova forma de punição, esse recolhimento imposto ao Senador não tem fundamento na nossa legislação, casuísmo intolerável, desnecessário e denotador de falta de “talo” para bancar a decisão cabível ao caso, que era a prisão do senador, na forma do requerido pelo Ministério Público Federal (diante de um processo recheado de provas e com substância suficiente para tanto), ou, estando na dúvida sobre a materialidade ou autoria das condutas (?), simplesmente absolver o senador.

Acontece que as duas decisões legais e corretas exigem coragem. Determinar a prisão e enviar a ordem ao Senado é sim uma medida forte e dura, mas caberia ao STF autoridade moral para tanto, absolver (além de mostrar cegueira) seria também igualmente difícil porque desafiaria os autos e as ruas, mas igualmente compete à suprema corte do país a força para segurar as decisões difíceis…

Optou-se covardemente por uma “gambiarra”, um meio termo frouxo que nem prende e nem exime Aécio, uma espécie de jeitinho que sinceramente ninguém aguenta mais, o pensamento: “prender é demais, mas deixar de fazer alguma coisa é desmoralizante, vamos fazer um negócio aqui…” levou a 1ª Turma do STF a esta PÉSSIMA DECISÃO!

Não se pode improvisar, em matéria criminal principalmente, a estrita legalidade há que se seguir para um mínimo de garantias…

O STF conseguiu o que parecia impossível desde 2014 e uniu em uma mesma causa PT e PSDB!!! Vislumbrando o possível ganho de um desmonte do judiciário e de uma rebelião ao império legal, o PT, diante de iminentes decisões desfavoráveis aos seus decidiu, num arremedo de apego à constitucionalidade, defender a permanência de Aécio com base nas enormes falhas da decisão do STF, perdemos todos, todos sem exceção! O nosso senado, a mais corporativa de nossas instituições (e olhe que a concorrência é grande) se vê confortável para insurgir-se contra o cumprimento da decisão e sabe Deus as consequências desta crise se isso virar hábito.

Quando o judiciário, instância pacificadora por excelência, detentora da última palavra nos conflitos, com poder de mando sobre os direitos mais caros das pessoas, perde a sua autoridade perante um senado carcomido e repleto dos piores fascínoras da nossa política (aí inclusos o “condenado” Aécio Neves, e outros tantos processados e sob investigação perante esta corte), os seus alvos percebem que não há o que temer e é só dizer que não aceita a decisão e fica por isso, damos carta branca a este colégio de bandidos a agir sem freio…

A crise institucional de hoje revela o grau de desmonte de nossa democracia, a corte errou feio e o senado não a perdoará, perdemos em dobro, perde o senado a oportunidade de purgar seus quadros pelo pagamento de sua dívida conosco e perde o STF com sua covardia e falta de força, que permite ser desconsiderado por uma decisão fraca.

A fraqueza é o pior dos defeitos de caráter, pois permite que todos os demais se instalem; o STF fraquejou, sucumbiu; o Senado cresceu no seu pior lado, vai atropelar, e aí pode deixar nossa democracia ainda mais vulnerável aos (ainda) sutis movimentos, mas já sensíveis aos atentos, de preparação das forças armadas no sentido de criar condições favoráveis a um retorno da Ditadura. Não é um cenário impossível e, embora me pareça o pior de todos, há quem o defenda romantizando inadvertidamente um período negro de nossa história. Hoje não me sinto otimista.

 




Deu ruim pra todo mundo


Nos últimos dias, temos visto desventuras em série na política nacional. Mas desta vez, a balança não pendeu para nenhum lado, todo mundo teve maus bocados, não deu pra ninguém se vangloriar.

Observados os principais partidos nacionais em separado e os últimos acontecimentos, o que vemos é que para o já combalido PT (que vem num verdadeiro inferno astral, que o diga Lula), teve um enorme revés com o bombástico depoimento de Antônio Palocci, onde vimos de forma inédita pela clareza e contundência uma confissão de culpa absoluta, com detalhes e datas, valores, completa ambientação e riqueza de detalhes que somente quem relata fatos reais consegue fazer (anos de trabalho no judiciário nos dão um certo traquejo para perceber padrões…), derrubou duramente o mito de que Lula não sabia de nada e que não era de seu domínio o que se passava no seu governo. Atenção para o fato de que esse depoimento vem de seu antigo Ministro da Fazenda, de seu mais íntimo círculo de poder durante seus mandatos, que era sua primeira escolha para a sucessão e que não pôde sê-lo em razão do estouro à época do escândalo do mensalão. Imagine que se trata de mero depoimento e não da sua há muito discutida e negociada delação premiada… se a avant premiére teve esse teor… calculem o peso da delação! Acredito que é sim o fim do sonho petista de reascender ao poder e ainda pior, sem Lula como candidato o que lhes resta é quase nada, dias duros.

Para o PMDB também deu ruim, de forma não linear, mas o partido sofreu um duro golpe, paralelamente aos eventos nefastos da sua principal hoste opositora, Temer, o homem mais odiado do Brasil (de todos os tempos sem dúvida!!!) e a quem ninguém quer se associar, teve uns minutinhos de alegria com a revelação dos novos áudios de Joesley Batista. A impressão de tais fatos abalariam a força da segunda denúncia, lançando dúvidas sobre a lisura do processo e assim o livraria de uma denúncia forte. Pois bem, a alegria do presidente atormentado (com razão) durou pouco, além de ter tido reveses nas tentativas de colocar Janot sob suspeição, o incidente com seu amigo-confidente, o BFF de todas as horas, Geddel Vieira Lima e suas malas de dinheiro resvalou muito negativamente e gerou mal estar novo e imenso, não existe meio de defender Geddel deste escândalo e não há como separar os amigos desta ação conjunta. Fica ainda pairando sobre Temer a incerteza sobre uma delação de Geddel, que notoriamente é mofino e não suporta grandes pressões, especialmente no ambiente inóspito da cadeia, mais um prato para manter girando o presidente equilibrista das suas desgraças…


PSDB anda em ambiente fratricida, se destrói sozinho numa disputa em que um Alckmin teima numa candidatura sem nenhuma chance real, age com uma descrença completa de seus pares e tenta se viabilizar, com sua já conhecida completa ausência de carisma (sempre foi um picolé de chuchu!) para um sonho de presidência que, no fundo, ele jamais teve condições de disputar. Demonstração de que seu ego é tão grande que lhe impede de dar ao partido chance real de voltar ao poder, para birrar qual menino mimado que a vez é dele! Ora, quem não vê que lançar Alckmin é somente um meio de perder novamente? O partido tem que ser muito sem visão para permitir isso. De fato existem já vários PSDBs, partido esse que nunca foi exatamente de muita personalidade, ultimamente sua fragmentação nas votações decisivas e mesmo na principal delas (a de permanecer junto a Temer) é obvia. Dória é sua única chance real de vitória, não tem experiência para tanto, mas tampouco o tinha Dilma e mesmo Lula, é tempo de união e não de guerra interna, podemos estar assistindo também a pulverização do PSDB, talvez realmente seja um ganho pra população, é preciso renovar siglas que não mais atendem anseios populares, não tenho nenhum apego ao PSDB, se for seu fim, não lamentarei.

No fim, o que se deve pensar é numa reformulação geral das figuras de destaque, nenhum partido inspira confiança, nenhum grande partido nacional apresenta alguma virtude louvável que nos motive a crer em melhorias, os partidos pequenos que sempre gravitaram em torno desses três citados tem chance de tentar mostrar a que vieram, já que o Distritão mostrou-se um natimorto indesejável, abortado sem dó pelo congresso ao perceber que sua má repercussão seria maior que os ganhos imaginados, pende somente saber se a cláusula de barreira passará, o que realmente enfraqueceria os nanicos, caso esta não passe, talvez estes vão viver sua aurora com o ocaso dos que dominaram nosso cenário por tanto tempo, será a alvorada dos satélites.




O fim da era Lula?


Do fiasco da caravana de Lula, sei que ao dizer isso levantarei de pronto uma horda gritando contra mim, mas vejamos, não é por aí não, o que falo é de uma sequência de fatos e não de uma torcida ou especulação. Falo de uma ação que tinha por objetivo arrebanhar e arrebatar milhares de pessoas, impactando o nordeste e Brasil, mostrando a imensa popularidade do ex presidente Lula e acabrunhando seus adversários diante de sua clara supremacia… pois é… não deu.

Então, ainda é permitido especular sobre o nosso futuro eleitoral e a nossa realidade vem se mostrando cada vez menos clara, as certezas há muito difundidas vem se tornando mais fluidas, as definições estão ficando pra trás.

Lula não abafou a concorrência, não parou cidades, não gerou o barulho que esperava e isso o deixa abatido, não resta dúvida, conhecemos a figura que ainda é o político mais importante do Brasil atual, sem sombra de dúvidas, mas o Lula feliz a gente sabe como é, bonachão e dado à fanfarronice, ele não se acanha em contar vantagem quando ele a vê, acho que ela não foi vista, ou não da forma da expectativa inicial, tá doendo, tá cansando, e até ele está se enchendo de dúvidas.

Vamos analisar os fatos, O PT em si, aí colocada a situação de 2014 e 2016, teve um encolhimento de suas maiorias eleitorais, o segundo mandato de Dilma foi definido nas últimas urnas e o empate técnico que dividiu o Brasil mostra que não foi fácil pra ninguém. Falamos de uma perda de superioridade eleitoral que o Lula deixou e Dilma não manteve. As eleições municipais do ano passado foram um belo golpe nos quadros do PT, este diminuiu sua participação em todo o Brasil, menos aqui no Piauí. SÃO FATOS, provados e notórios, nem tentem me crucificar por dizer a verdade documentada.

A caravana aqui no Piauí era esperada como um evento único de proporções gigantescas e que mobilizaria cidades sem grande oposição, ou uma que fosse insignificante… ledo engano, Picos que o fale… a cidade mostrou-se, de tal forma, dividida e o evento tornou-se praticamente privado, ora, para que então serve um evento político, claramente eleitoral, que mantém a população à parte? Não dá pra defender ou mascarar os fatos. Lula veio para ser carregados nos braços do povo e o povo não o embalou como esperado.

Isso significa que o Lula está acabado e que não é um candidato fortíssimo pra eleição de 2018? Nunca! Ele ainda é o detentor do maior número de votos declarados, um mito no Brasil com defensores e militantes aguerridos, fiéis e dispostos a trabalhar arduamente pela sua eleição. Ele é sim hoje o candidato com melhores chances de chegar ao Planalto. Mas sua hegemonia não é mais a mesma, rachou o casco do navio que singrava o mar eleitoral sem oposição, e ressalte-se, o navio não foi atingido de fora, a rachadura veio de seus atos e das consequências destes, a condenação criminal, as inúmeras denúncias e processos são a ferrugem que vem corroendo seu projeto, a concorrência ainda nem tem bem clara uma estratégia ou um nome forte para emplacar, quem derrota Lula hoje é o próprio Lula.

O jantar em sua homenagem não teve grande adesão, não mobilizou o público esperado, os parlamentares e empresários não se sentiram à vontade para serem associados a sua imagem neste momento, se estiver errada, por favor me enviem as provas do sucesso deste evento, a falha deste é grave pois mostra que há desprestígio por parte de quem paga por esta e outras atividades do candidato e também do suporte político essecial nesse momento. A imagem antes desejada passou a ser questionada. E sim, este evento é tão relevante quanto as aparições públicas, que aí sim falo por especulação, teriam sido turbinadas com ônibus de “militantes” pagos, o que nem é uma estratégia nova… resta perguntar agora se o barco petista adernando é o verdadeiro Titanic brasileiro...




O Distritão


Num ano em que temos acompanhado novas e intensas batalhas no nosso cenário político, a tão propalada reforma política (e aqui frise-se para mim, ainda se trata de ato preparatório para o que realmente se almeja), temos uma reforma eleitoral profunda, principalmente para as cadeiras do parlamento e também, com a proposta da extinção de uma figura que tem tido imensa relevância no nosso período republicano, que é a do vice nos cargos do executivo, temos assim, com o texto apresentado, grandes repercussões no exercício (principalmente na forma de alçar o poder) e também um rearranjo de outros poderes.

A reforma em análise e que tem muitas relevantes alterações, inicialmente mudando de proporcional para majoritário e sendo escolhido o candidato mais votado, independente de votos de legenda e principalmente desconsiderando-se os votos dos candidatos perdedores, muda toda a lógica do sistema. Ao invés de muitos candidatos inviáveis e que serviam para arregimentar votos de legenda, passaremos a ter poucos candidatos, escolhidos entre os mais viáveis, e principalmente preservando os caciques apavorados com a escalada de insatisfação popular.

O Distritão vai enfraquecer os partidos, e especialmente os pequenos partidos, aterrorizados com a cláusula de barreira, lamentam pelo lucrativo mercado de aluguel de legenda…
Para ser uma democracia representativa, não somente a maioria deve prevalecer, mas também a minoria há de ter voz, nesse sistema essa voz já débil deve se calar…

Todavia, o que se deve ressalvar é que a estrada que se pavimenta agora com essa Reforma, tem uma destinação outra, permito-me ponderar que as recentes e repetidas manifestações dos caciques do PSDB e PMDB, bem como do ministro mais politizado do Brasil, o grande opinador político da República, Dr. Gilmar Mendes, no sentido de que o caminho para o Brasil é a implantação de sistema de governo Parlamentarista, com essa conformação de Congresso tenho minhas dúvidas…

Desde há muito, observe-se o meu primeiro vídeo do Programa Cosmopolítica com a vice-governadora do Piauí, Margarete Coelho, eu já levanto a questão de que a nossa Constituição Federal foi formulada para ser parlamentarista, mas quedou-se presidencialista (por tradição) na votação da revisão constitucional de 1994 e esse híbrido só veio fomentando a promiscuidade entre os poderes Legislativo e Executivo, criando este balcão de comércio que virou nosso país.

Considero necessário que se ajuste a Constituição e que se harmonize o sistema, mas com a votação para escolha de congressistas com base no sistema majoritário, conservando o parlamento que temos e dificultando a renovação, vejo a preocupante ideia de um meio de controlar o país retirando a Administração deste país da escolha popular, pois um primeiro ministro escolhido pelo atual parlamento me causa arrepios, e a representatividade extingue-se… volto a tratar com vagar deste aspecto em novo texto breve, é necessário aprofundar este ponto.

O estabelecimento de mandato para os membros dos tribunais superiores me causa simpatia, o mandato de 10 anos me parece uma boa solução para que os senhores ministros vejam que não são senhores dos assentos e permite um arejamento dos entendimentos, num outro lado, tira-se a garantia da vitaliciedade e permite-se certa pressão, não existem escolhas fáceis…

Confesso ainda não ter compreendido bem a intenção da retirada dos vices, aguardo considerações de melhores analistas, aceito sugestões, no que se refere à nova disciplina dos suplentes de senador, achei excelente ideia que se impeça a simples indicação atual e se atrele ao menos a alguém com legitimidade popular, vez que recairia essa função ao candidato a deputado federal mais votado da lista, um mínimo de respeito aos votos dados seria mostrado.

O financiamento público de campanhas é uma medida totalmente furada, na minha opinião, quem sempre captou ilicitamente recursos continuará o fazendo, não era a falta de regramento que os impedia, caixas dois dificilmente serão extinguidos, especialmente com as campanhas extremamente personalizadas que teremos, o Distritão é o verdadeiro cada um por si na corrida eleitoral, o financiamento público somente será mais uma tunga aos nossos cofres públicos e um incremento nas campanha dos nossos pretensos parlamentares. É bom lembrar que essa cifra assustadora de R$ 3,6 bilhões de Reais é menos da metade dos valores declarados oficialmente na campanha de 2014!!!! Realize se pudéssemos totalizar os caixas extras? Não teremos eleições mais baratas, não teremos eleições mais abertas e não teremos eleições com poder de renovação, essa reforma não reforma para mudar, reforma para conservar...





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Ilana Alencar


16 de Outubro de 2017 às 18:47

Todos os navios tem ratos…


O que acontece essa semana ao presidente (com letras bem minúsculas mesmo) com pífios 3% de aprovação e prestes a enfrentar a segunda denúncia de prática de crimes, desta vez, com ainda mais substância que a primeira e com a mesmíssima desfaçatez, decalca a atitude já conhecida dos nossos políticos, passam a desqualificar o denunciante (Janot) e a denúncia e repetir a cantilena de que não há provas, mesmo que esteja recheada de vídeos, áudios, provas documentais e testemunhais em número mais do que suficiente para criar, ao menos, a dúvida acerca de sua veracidade que autorize o prosseguimento do processo.

Observe-se que não é necessário que a culpa do presidente fique provada agora, somente que existem indícios, indicativos de que é possível que os crimes tenham ocorrido (materialidade) e que tenham sido praticados pelo presidente (autoria), as provas serão discutidas em sua ocasião e forma apropriadas, durante o processamento.

Existe um princípio de processo penal que rege este momento de propositura que é o “in dubio pro societatis” ou em bom português, "na dúvida em favor da sociedade", o que isso quer dizer afinal? Simplesmente que diante de uma denúncia, se há dúvida sobre a sua consistência, que se prossiga em favor da sociedade que precisa ver esclarecidas as situações criminosas, afinal, é melhor que se processe e investigue a fundo, dando ao réu todas as garantias legais e afinal se puna ou não de acordo com o que se provar.

Então, nesse caso, na dúvida se houve crime, que se apure, se existem indícios de que o presidente praticou condutas criminosas, que se investigue pelo bem do Brasil!!!! Ninguém acredita mais nessa balela de que o país não aguenta mais um tranco, ou que não compensa fazer um eleição sobre a outra, ora, o país não suporta é permanecer com a lama acima do pescoço e fingindo que nada houve ou se viu! Pior pra todos!

A principal questão é que uma vez permitido o curso dessa denúncia, que então passa a ser ação penal propriamente dita e que de imediato vaga a presidência do Brasil, assume interinamente Rodrigo Maia, o nosso presidente da câmara que começou a mostrar que sua carinha bonachona e atitude cordata esconde um pouco mais de talo do que inicialmente mostrado.

Por ocasião da primeira denúncia, a distribuição descarada de emendas, cargos, favores e derrame de dinheiro geral, mostrava um Rodrigo Maia de fidelidade canina e face plácida, trabalhando pela permanência do presidente de forma silenciosa e ininterrupta… Não mais.

Temer é péssimo com gente, com aliados então, nossa, nunca agrega ninguém, a não ser a custa de muitos favores, e desagrega (ou perde para a prisão com muita rapidez… Geddel que o diga!). Cada vez mais isolado em sua histórica impopularidade histórica, o Presidente agora arranja briga com o seu possível sucessor e alguém que colheria frutos diretos com seu afastamento. Não sei se é esperto de sua parte… Bem que poderia acontecer uma reviravolta bem hollywoodiana e o Rodrigo Maia se mostrar o maior articulador dessa grande trama, descartamdp o Temer para assumir a república até a finalização das eleições, estou sim com inspirações iconoclastas afloradas kkkkk.

Falando sério, o custo do arquivamento dessa segunda denúncia pode ser muito alto, tanto de forma literal (outra derrama de dinheiro público, feita às escâncaras e com agenda oficial divulgada, estimada em 1 bilhão de reais por mês no ano de 2018, para estancar essa sangria política é preciso realmente muito dinheiro) como de forma figurada perde-se moralmente a referência, não há meio de ganhar ao se ver o balcão de negócios que essa situação virou, em ver um presidente desesperado por sua permanência, comprando as almas dos deputados como se o próprio diabo fosse e, por fim, ver arquivada novamente a denúncia. Nesse jogo de perde-perde, só temos que esperar que as lealdades compradas se desfaçam e se rompa a farsa… Infelizmente é muito difícil acreditar nisso.

Todos os navios tem ratos, faz parte de sua natureza, o problema é fazermos carregamento de ratos, e achar quem escape é cada dia mais difícil…




16 de Outubro de 2017 às 16:42

O preço da covardia e o “jeitinho brasileiro”


Então o STF determina a Aécio Neves o afastamento do Senado e o recolhimento noturno (WTH?), além de retenção de passaporte e outras sanções acessórias. Ocorre que o guardião da Constituição Federal “criou” uma nova forma de punição, esse recolhimento imposto ao Senador não tem fundamento na nossa legislação, casuísmo intolerável, desnecessário e denotador de falta de “talo” para bancar a decisão cabível ao caso, que era a prisão do senador, na forma do requerido pelo Ministério Público Federal (diante de um processo recheado de provas e com substância suficiente para tanto), ou, estando na dúvida sobre a materialidade ou autoria das condutas (?), simplesmente absolver o senador.

Acontece que as duas decisões legais e corretas exigem coragem. Determinar a prisão e enviar a ordem ao Senado é sim uma medida forte e dura, mas caberia ao STF autoridade moral para tanto, absolver (além de mostrar cegueira) seria também igualmente difícil porque desafiaria os autos e as ruas, mas igualmente compete à suprema corte do país a força para segurar as decisões difíceis…

Optou-se covardemente por uma “gambiarra”, um meio termo frouxo que nem prende e nem exime Aécio, uma espécie de jeitinho que sinceramente ninguém aguenta mais, o pensamento: “prender é demais, mas deixar de fazer alguma coisa é desmoralizante, vamos fazer um negócio aqui…” levou a 1ª Turma do STF a esta PÉSSIMA DECISÃO!

Não se pode improvisar, em matéria criminal principalmente, a estrita legalidade há que se seguir para um mínimo de garantias…

O STF conseguiu o que parecia impossível desde 2014 e uniu em uma mesma causa PT e PSDB!!! Vislumbrando o possível ganho de um desmonte do judiciário e de uma rebelião ao império legal, o PT, diante de iminentes decisões desfavoráveis aos seus decidiu, num arremedo de apego à constitucionalidade, defender a permanência de Aécio com base nas enormes falhas da decisão do STF, perdemos todos, todos sem exceção! O nosso senado, a mais corporativa de nossas instituições (e olhe que a concorrência é grande) se vê confortável para insurgir-se contra o cumprimento da decisão e sabe Deus as consequências desta crise se isso virar hábito.

Quando o judiciário, instância pacificadora por excelência, detentora da última palavra nos conflitos, com poder de mando sobre os direitos mais caros das pessoas, perde a sua autoridade perante um senado carcomido e repleto dos piores fascínoras da nossa política (aí inclusos o “condenado” Aécio Neves, e outros tantos processados e sob investigação perante esta corte), os seus alvos percebem que não há o que temer e é só dizer que não aceita a decisão e fica por isso, damos carta branca a este colégio de bandidos a agir sem freio…

A crise institucional de hoje revela o grau de desmonte de nossa democracia, a corte errou feio e o senado não a perdoará, perdemos em dobro, perde o senado a oportunidade de purgar seus quadros pelo pagamento de sua dívida conosco e perde o STF com sua covardia e falta de força, que permite ser desconsiderado por uma decisão fraca.

A fraqueza é o pior dos defeitos de caráter, pois permite que todos os demais se instalem; o STF fraquejou, sucumbiu; o Senado cresceu no seu pior lado, vai atropelar, e aí pode deixar nossa democracia ainda mais vulnerável aos (ainda) sutis movimentos, mas já sensíveis aos atentos, de preparação das forças armadas no sentido de criar condições favoráveis a um retorno da Ditadura. Não é um cenário impossível e, embora me pareça o pior de todos, há quem o defenda romantizando inadvertidamente um período negro de nossa história. Hoje não me sinto otimista.

 




16 de Outubro de 2017 às 15:57

Deu ruim pra todo mundo


Nos últimos dias, temos visto desventuras em série na política nacional. Mas desta vez, a balança não pendeu para nenhum lado, todo mundo teve maus bocados, não deu pra ninguém se vangloriar.

Observados os principais partidos nacionais em separado e os últimos acontecimentos, o que vemos é que para o já combalido PT (que vem num verdadeiro inferno astral, que o diga Lula), teve um enorme revés com o bombástico depoimento de Antônio Palocci, onde vimos de forma inédita pela clareza e contundência uma confissão de culpa absoluta, com detalhes e datas, valores, completa ambientação e riqueza de detalhes que somente quem relata fatos reais consegue fazer (anos de trabalho no judiciário nos dão um certo traquejo para perceber padrões…), derrubou duramente o mito de que Lula não sabia de nada e que não era de seu domínio o que se passava no seu governo. Atenção para o fato de que esse depoimento vem de seu antigo Ministro da Fazenda, de seu mais íntimo círculo de poder durante seus mandatos, que era sua primeira escolha para a sucessão e que não pôde sê-lo em razão do estouro à época do escândalo do mensalão. Imagine que se trata de mero depoimento e não da sua há muito discutida e negociada delação premiada… se a avant premiére teve esse teor… calculem o peso da delação! Acredito que é sim o fim do sonho petista de reascender ao poder e ainda pior, sem Lula como candidato o que lhes resta é quase nada, dias duros.

Para o PMDB também deu ruim, de forma não linear, mas o partido sofreu um duro golpe, paralelamente aos eventos nefastos da sua principal hoste opositora, Temer, o homem mais odiado do Brasil (de todos os tempos sem dúvida!!!) e a quem ninguém quer se associar, teve uns minutinhos de alegria com a revelação dos novos áudios de Joesley Batista. A impressão de tais fatos abalariam a força da segunda denúncia, lançando dúvidas sobre a lisura do processo e assim o livraria de uma denúncia forte. Pois bem, a alegria do presidente atormentado (com razão) durou pouco, além de ter tido reveses nas tentativas de colocar Janot sob suspeição, o incidente com seu amigo-confidente, o BFF de todas as horas, Geddel Vieira Lima e suas malas de dinheiro resvalou muito negativamente e gerou mal estar novo e imenso, não existe meio de defender Geddel deste escândalo e não há como separar os amigos desta ação conjunta. Fica ainda pairando sobre Temer a incerteza sobre uma delação de Geddel, que notoriamente é mofino e não suporta grandes pressões, especialmente no ambiente inóspito da cadeia, mais um prato para manter girando o presidente equilibrista das suas desgraças…


PSDB anda em ambiente fratricida, se destrói sozinho numa disputa em que um Alckmin teima numa candidatura sem nenhuma chance real, age com uma descrença completa de seus pares e tenta se viabilizar, com sua já conhecida completa ausência de carisma (sempre foi um picolé de chuchu!) para um sonho de presidência que, no fundo, ele jamais teve condições de disputar. Demonstração de que seu ego é tão grande que lhe impede de dar ao partido chance real de voltar ao poder, para birrar qual menino mimado que a vez é dele! Ora, quem não vê que lançar Alckmin é somente um meio de perder novamente? O partido tem que ser muito sem visão para permitir isso. De fato existem já vários PSDBs, partido esse que nunca foi exatamente de muita personalidade, ultimamente sua fragmentação nas votações decisivas e mesmo na principal delas (a de permanecer junto a Temer) é obvia. Dória é sua única chance real de vitória, não tem experiência para tanto, mas tampouco o tinha Dilma e mesmo Lula, é tempo de união e não de guerra interna, podemos estar assistindo também a pulverização do PSDB, talvez realmente seja um ganho pra população, é preciso renovar siglas que não mais atendem anseios populares, não tenho nenhum apego ao PSDB, se for seu fim, não lamentarei.

No fim, o que se deve pensar é numa reformulação geral das figuras de destaque, nenhum partido inspira confiança, nenhum grande partido nacional apresenta alguma virtude louvável que nos motive a crer em melhorias, os partidos pequenos que sempre gravitaram em torno desses três citados tem chance de tentar mostrar a que vieram, já que o Distritão mostrou-se um natimorto indesejável, abortado sem dó pelo congresso ao perceber que sua má repercussão seria maior que os ganhos imaginados, pende somente saber se a cláusula de barreira passará, o que realmente enfraqueceria os nanicos, caso esta não passe, talvez estes vão viver sua aurora com o ocaso dos que dominaram nosso cenário por tanto tempo, será a alvorada dos satélites.




16 de Outubro de 2017 às 00:10

O fim da era Lula?


Do fiasco da caravana de Lula, sei que ao dizer isso levantarei de pronto uma horda gritando contra mim, mas vejamos, não é por aí não, o que falo é de uma sequência de fatos e não de uma torcida ou especulação. Falo de uma ação que tinha por objetivo arrebanhar e arrebatar milhares de pessoas, impactando o nordeste e Brasil, mostrando a imensa popularidade do ex presidente Lula e acabrunhando seus adversários diante de sua clara supremacia… pois é… não deu.

Então, ainda é permitido especular sobre o nosso futuro eleitoral e a nossa realidade vem se mostrando cada vez menos clara, as certezas há muito difundidas vem se tornando mais fluidas, as definições estão ficando pra trás.

Lula não abafou a concorrência, não parou cidades, não gerou o barulho que esperava e isso o deixa abatido, não resta dúvida, conhecemos a figura que ainda é o político mais importante do Brasil atual, sem sombra de dúvidas, mas o Lula feliz a gente sabe como é, bonachão e dado à fanfarronice, ele não se acanha em contar vantagem quando ele a vê, acho que ela não foi vista, ou não da forma da expectativa inicial, tá doendo, tá cansando, e até ele está se enchendo de dúvidas.

Vamos analisar os fatos, O PT em si, aí colocada a situação de 2014 e 2016, teve um encolhimento de suas maiorias eleitorais, o segundo mandato de Dilma foi definido nas últimas urnas e o empate técnico que dividiu o Brasil mostra que não foi fácil pra ninguém. Falamos de uma perda de superioridade eleitoral que o Lula deixou e Dilma não manteve. As eleições municipais do ano passado foram um belo golpe nos quadros do PT, este diminuiu sua participação em todo o Brasil, menos aqui no Piauí. SÃO FATOS, provados e notórios, nem tentem me crucificar por dizer a verdade documentada.

A caravana aqui no Piauí era esperada como um evento único de proporções gigantescas e que mobilizaria cidades sem grande oposição, ou uma que fosse insignificante… ledo engano, Picos que o fale… a cidade mostrou-se, de tal forma, dividida e o evento tornou-se praticamente privado, ora, para que então serve um evento político, claramente eleitoral, que mantém a população à parte? Não dá pra defender ou mascarar os fatos. Lula veio para ser carregados nos braços do povo e o povo não o embalou como esperado.

Isso significa que o Lula está acabado e que não é um candidato fortíssimo pra eleição de 2018? Nunca! Ele ainda é o detentor do maior número de votos declarados, um mito no Brasil com defensores e militantes aguerridos, fiéis e dispostos a trabalhar arduamente pela sua eleição. Ele é sim hoje o candidato com melhores chances de chegar ao Planalto. Mas sua hegemonia não é mais a mesma, rachou o casco do navio que singrava o mar eleitoral sem oposição, e ressalte-se, o navio não foi atingido de fora, a rachadura veio de seus atos e das consequências destes, a condenação criminal, as inúmeras denúncias e processos são a ferrugem que vem corroendo seu projeto, a concorrência ainda nem tem bem clara uma estratégia ou um nome forte para emplacar, quem derrota Lula hoje é o próprio Lula.

O jantar em sua homenagem não teve grande adesão, não mobilizou o público esperado, os parlamentares e empresários não se sentiram à vontade para serem associados a sua imagem neste momento, se estiver errada, por favor me enviem as provas do sucesso deste evento, a falha deste é grave pois mostra que há desprestígio por parte de quem paga por esta e outras atividades do candidato e também do suporte político essecial nesse momento. A imagem antes desejada passou a ser questionada. E sim, este evento é tão relevante quanto as aparições públicas, que aí sim falo por especulação, teriam sido turbinadas com ônibus de “militantes” pagos, o que nem é uma estratégia nova… resta perguntar agora se o barco petista adernando é o verdadeiro Titanic brasileiro...




16 de Outubro de 2017 às 12:16

O Distritão


Num ano em que temos acompanhado novas e intensas batalhas no nosso cenário político, a tão propalada reforma política (e aqui frise-se para mim, ainda se trata de ato preparatório para o que realmente se almeja), temos uma reforma eleitoral profunda, principalmente para as cadeiras do parlamento e também, com a proposta da extinção de uma figura que tem tido imensa relevância no nosso período republicano, que é a do vice nos cargos do executivo, temos assim, com o texto apresentado, grandes repercussões no exercício (principalmente na forma de alçar o poder) e também um rearranjo de outros poderes.

A reforma em análise e que tem muitas relevantes alterações, inicialmente mudando de proporcional para majoritário e sendo escolhido o candidato mais votado, independente de votos de legenda e principalmente desconsiderando-se os votos dos candidatos perdedores, muda toda a lógica do sistema. Ao invés de muitos candidatos inviáveis e que serviam para arregimentar votos de legenda, passaremos a ter poucos candidatos, escolhidos entre os mais viáveis, e principalmente preservando os caciques apavorados com a escalada de insatisfação popular.

O Distritão vai enfraquecer os partidos, e especialmente os pequenos partidos, aterrorizados com a cláusula de barreira, lamentam pelo lucrativo mercado de aluguel de legenda…
Para ser uma democracia representativa, não somente a maioria deve prevalecer, mas também a minoria há de ter voz, nesse sistema essa voz já débil deve se calar…

Todavia, o que se deve ressalvar é que a estrada que se pavimenta agora com essa Reforma, tem uma destinação outra, permito-me ponderar que as recentes e repetidas manifestações dos caciques do PSDB e PMDB, bem como do ministro mais politizado do Brasil, o grande opinador político da República, Dr. Gilmar Mendes, no sentido de que o caminho para o Brasil é a implantação de sistema de governo Parlamentarista, com essa conformação de Congresso tenho minhas dúvidas…

Desde há muito, observe-se o meu primeiro vídeo do Programa Cosmopolítica com a vice-governadora do Piauí, Margarete Coelho, eu já levanto a questão de que a nossa Constituição Federal foi formulada para ser parlamentarista, mas quedou-se presidencialista (por tradição) na votação da revisão constitucional de 1994 e esse híbrido só veio fomentando a promiscuidade entre os poderes Legislativo e Executivo, criando este balcão de comércio que virou nosso país.

Considero necessário que se ajuste a Constituição e que se harmonize o sistema, mas com a votação para escolha de congressistas com base no sistema majoritário, conservando o parlamento que temos e dificultando a renovação, vejo a preocupante ideia de um meio de controlar o país retirando a Administração deste país da escolha popular, pois um primeiro ministro escolhido pelo atual parlamento me causa arrepios, e a representatividade extingue-se… volto a tratar com vagar deste aspecto em novo texto breve, é necessário aprofundar este ponto.

O estabelecimento de mandato para os membros dos tribunais superiores me causa simpatia, o mandato de 10 anos me parece uma boa solução para que os senhores ministros vejam que não são senhores dos assentos e permite um arejamento dos entendimentos, num outro lado, tira-se a garantia da vitaliciedade e permite-se certa pressão, não existem escolhas fáceis…

Confesso ainda não ter compreendido bem a intenção da retirada dos vices, aguardo considerações de melhores analistas, aceito sugestões, no que se refere à nova disciplina dos suplentes de senador, achei excelente ideia que se impeça a simples indicação atual e se atrele ao menos a alguém com legitimidade popular, vez que recairia essa função ao candidato a deputado federal mais votado da lista, um mínimo de respeito aos votos dados seria mostrado.

O financiamento público de campanhas é uma medida totalmente furada, na minha opinião, quem sempre captou ilicitamente recursos continuará o fazendo, não era a falta de regramento que os impedia, caixas dois dificilmente serão extinguidos, especialmente com as campanhas extremamente personalizadas que teremos, o Distritão é o verdadeiro cada um por si na corrida eleitoral, o financiamento público somente será mais uma tunga aos nossos cofres públicos e um incremento nas campanha dos nossos pretensos parlamentares. É bom lembrar que essa cifra assustadora de R$ 3,6 bilhões de Reais é menos da metade dos valores declarados oficialmente na campanha de 2014!!!! Realize se pudéssemos totalizar os caixas extras? Não teremos eleições mais baratas, não teremos eleições mais abertas e não teremos eleições com poder de renovação, essa reforma não reforma para mudar, reforma para conservar...




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