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18 de outubro: dia do médico


Embora a medicina tenha seus fundamentos atrelados a conceitos tradicionais, é inegável que a sua transformação segue em ritmo acelerado para acompanhar as mudanças sociais.

Em tempos recentes as mídias sociais, jornalísticas e científicas têm noticiado diversas atrocidades praticadas em todos os cenários da sociedade: político, econômico, educacional, desportivo, da saúde e outros, revelando o enraizamento de condutas antiéticas e ilegais na população.

Em momentos de crise como este em que vivemos em nosso país e no mundo, é preciso que nos apeguemos à essência de nossos institutos e resgatemos sua força e credibilidade.

Se alguém disser que tem uma solução “pronta” para esse imbróglio, desconfie!

O que se pode perceber é que o paradigma da ilegalidade e dos esquemas de corrupção estão instalados em todas classes profissionais, as quais devem se unir cada vez mais, na tentativa de promover uma reformulação nas condutas profissionais a fim de que as próprias instituições se reorganizem.

As polêmicas e questões complexas ligadas à ordem moral e ética estão presentes em todas as áreas da medicina e são, como é de se esperar, constantemente avaliadas pela ordem jurídica vigente, seja no âmbito particular ou no âmbito das instituições de caráter público.

A classe médica possui relevância histórica para a sociedade, tendo origem, de início, na arte médica das mãos de curandeiros e sacerdotes. A figura do médico era tida como uma entidade religiosa e mística que atribuía suas ações e responsabilidades a rituais dependentes da vontade divina.

Com o surgimento do pensamento hipocrático, a atenção se voltou para os doentes e não mais para os deuses, o que fez ver a necessidade de novas técnicas de experimentação, documentação dos acontecimentos e estudos acerca das enfermidades.

Mais recentemente, com a evolução da medicina no século XX, a figura do médico esteve intimamente ligada ao profissional conselheiro da família e respeitado pela sociedade que não admitia dúvidas sobre a credibilidade dos seus serviços, sendo o ato médico componente de uma relação de confiança (a do cliente) e uma consciência (a do médico.

Atualmente, os pacientes estão cada vez mais conscientes de seus direitos e garantias, questionando os métodos convencionais e os inovadores existentes, o que causa uma ebulição de polêmicas acerca de procedimentos, atendimentos e tratamentos oferecidos pelos profissionais prestadores de serviço da saúde.

Tanto é que, a denominação paciente é, em muitas situações, equiparada com consumidor/usuário da saúde quando se está a tratar sobre relação médico-paciente.

Devido a massificação das relações sociais de consumo, os pacientes almejam uma participação cada vez mais ativa na tomada de decisões sobre o atendimento médico a fim de obterem serviços de melhor qualidade.

Inúmeras instituições servem de suporte institucional para a proteção da participação dos usuários da saúde na tomada de decisões sobre temas polêmicos, estatuindo que eles devem obter informações detalhadas sobre o procedimento a ser adotado; direito de recusa de tratamento dentro do limite da lei; discrição sobre o tratamento e métodos utilizados; sigilo sobre os registros da doença do paciente quando isso possa comprometer seus interesses; informação completa à família quando se fazer necessário; entre outras medidas que serão logo explicadas.

Os médicos, por sua vez, sofrem com os recursos e remunerações incompatíveis com a realidade atual que não justificam o seu trabalho exercido e nem o valor que ele representa.

 Assim, não é difícil perceber que esses profissionais merecem se valer de uma situação mais humanizada onde seus direitos sejam respeitados, com salários dignos e condições de trabalho propícias para desenvolver os procedimentos mínimos, sendo dever do paciente lhe tratar com urbanidade.

Não há trabalho humano que não tenha defeitos. As críticas devem ser feitas somente por aqueles que buscam soluções para uma efetiva melhora, evitando assim que uma classe inteira, ou mesmo uma organização, venha a sofrer desgastes, pelo erro de um indivíduo que atuou isoladamente.

 

Parabéns aos médicos que dedicam suas vidas ao trabalho e constroem um mundo com mais esperanças.

 


Sobre mim


Assis Neto

Advogado. Pós-graduado em Direito Processual Civil pela PUC de São Paulo, em Direito da Medicina pela Universidade de Coimbra e pós-graduando em Direito Médico e Hospitalar pela Escola Paulista de Direito (EPD).



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