buscado recentemente

Piauienses são os que menos ganham em São Paulo


Salários para trabalhadores do Piauí são reduzidos mesmo com anos a mais de estudo; Pesquisa feita pelo Estadão aponta que o estado está entre os piores no ranking da renda salarial migrante


Comparando dados, economistas concluem que o piauiense que possui um ano a mais de formação do que outro brasileiro e vai trabalhar em São Paulo, significa ter um aumento de apenas 2,3% na sua renda salarial. Este é o patamar mais baixo entre os 19 estados analisados pelo Jornal Estado de São Paulo.

Fluminenses e gaúchos que possuem um ano a mais de formação, têm aumento de 10,5% a 13,1% no salário. Retorno maior do que aqueles que se formaram em São Paulo. A região Norte não está inclusa na pesquisa e o Nordeste figura entre as regiões com os piores índices nos resultados obtidos.

Para o ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Simon Schwartzman, a qualidade do ensino, é sem dúvidas um fator que limita os ganhos para um migrante de um estado mais pobre ao se mudar para um mercado mais competitivo, como o das grandes capitais.

“Também pesam as redes e conexões que as pessoas trazem consigo. Ela chega a São Paulo e se aproxima de outros que vieram do mesmo lugar de origem e com  formação parecida. Isso acaba criando um grupo fechado em si mesmos, o que reduz a rede de contatos de empregadores”, diz.

A pesquisa mostra que para duas pessoas que possuem o mesmo gênero, mesma idade e mesmo Estado de origem, ao se comparar os ganhos, ganha mais quem possui mais anos de escolaridade. A pesquisa também demonstra o quanto o investimento nos primeiros anos de formação, em relação aos anos finais de estudo, são circunstanciais para essa melhora na renda salarial.

O piauiense Salvador da Silva, 54 anos, atualmente trabalha como porteiro em São Paulo, mas desde os 19 anos reside na capital paulista. Acostumado a trabalhar na roça, ele diz que os primeiros anos foram mais difíceis para conseguir se adaptar, porém, nunca pensou em voltar para sua terra natal. “Naquela época, mesmo com toda a crise, era mais fácil conseguir emprego aqui em São Paulo do que no Piauí. Não tinha muito estudo, mas logo que deixei meu currículo fui chamado”, declara.





© Copyright ClubeSAT 2017. Todos os direitos reservados.