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Defesa Civil de Picos não tem recursos e moradores são orientados a abandonarem casas


Coordenador do órgão disse que Prefeitura está sem condições de construir muros de arrimo e de pagar aluguel social


Tem virado rotina, a população que vive em áreas de risco, na cidade de Picos, passar por diversos apuros no decorrer do período chuvoso. A temeridade é maior para os moradores que habitam as encostas dos morros que rodeiam o município. A instabilidade do terreno acidentado e barrancoso deixa casas e famílias abandonadas a própria sorte a cada nova chuva.

Em 2018, como já era esperado, o problema voltou a se repetir. As duas únicas chuvas mais fortes que caíram neste início de janeiro colocaram em alerta total os moradores das Ruas Santiago e São Cristóvão, no Centro. A situação preocupa até mesmo quem mora no “asfalto”, aqui no caso, moradores da Rua Três de Maio.

Foto:PortaldoPovo

 

“Aqui todos estão [em área crítica]. Tanto os [moradores] da Três de Maio [como os das Ruas Santiago e São Cristóvão]. Porque se cair [casa, barranco ou pedra] da Santiago, cai em cima dá Três de Maio e se cair [casa, barranco ou pedra] da São Cristóvão, cai em cima da Santiago. Está um caso sério e umas 20 famílias estão nessa condição”, alertou a manicure Marilene Silva, que é mais conhecida como “Pirrita” em entrevista a Grande FM.

O deslizamento de barrancos, a aproximação de um “abismo” em direção as casas e a ameaça de desabamento dos muros de arrimo já “expulsaram” duas famílias da Rua Santiago. O segurança Wiliam Sousa tomou a decisão de sair do local onde vive há 12 anos após um acontecimento surreal: a calçada de sua residência desabou e a motocicleta que estava estacionada foi parar no quintal de uma casa na Rua Três de Maio.

“Saí para o aluguel porque a gente tem de primeiro salvar a vida da gente e dos filhos. Bens materiais a gente consegue mais na frente trabalhando”, falou o segurança a Grande FM, acrescentando que um muro também ameaça cair sobre os quartos localizados nos fundos do imóvel.

A mesma rádio a desempregada, Marinete de Oliveira, contou que a sua casa foi atingida por um deslizamento. “Se na hora eu estivesse lá no quintal não estaria mais nem aqui hoje. Estaria morta porque caiu o paredão da casa todinho em meu quintal. E ainda tem também uma fossa e o banheiro da residência que podem descer em meu quintal”, relatou, afirmando que por conta do perigo eminente de novos deslizamentos está dormindo na casa de vizinhos.

Esses relatos representam apenas uma amostragem de um problema de dimensão bem maior vivido por várias famílias picoenses. Pelo menos 100 casas construídas nas encostas dos morros em diversos pontos da cidade (bairro Paroquial, bairro São Vicente, bairro Bela Vista I, bairro Boa Vista, bairro Alto do Morro, bairro Morada do Sol) correm risco de desabamento ou de serem atingidas por deslizamentos. E apesar desse cenário preocupante um dos órgãos destinados a atuar nessas situações encontra-se de “mãos atadas”.

No front das questões relacionadas a moradias localizadas em áreas de risco, a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil não conta com qualquer recurso para resolver ou ao menos minimizar o sofrimento das famílias que moram nas encostas dos morros. E apesar da sazonalidade do problema a Prefeitura de Picos simplesmente não destinou nenhum centavo para a Defesa Civil em seu gordo orçamento de R$ 219.415.440,00 (duzentos e dezenove milhões e quatrocentos e quinze mil e quatrocentos e quarenta reais) previsto para este ano. Sem dinheiro em caixa, a orientação do coordenador do órgão, Oliveiro Luz, só aumenta o desespero de quem espera alguma ajuda do Município.

“No momento a Prefeitura não está em condições de fazer nem um muro de arrimo porque é muito caro e para fazer uma coisa que não presta é melhor deixar do jeito que está. Fazendo um muro de arrimo que ele possa cair depois é pior. Então eu acho que o que tem de ser feito é [os moradores] procurarem abrigos em outros lugares apropriados. E vê se a Prefeitura vai ter uma condição, mais a frente um pouco, de pagar um aluguel social de três meses que é o máximo. Tem que falar com o senhor prefeito [Padre José Walmir de Lima (PT)] para vê se ele aceita porque não é a Defesa Civil. A Defesa Civil só encaminha porque nós não temos recursos. O recurso é da Prefeitura e é ela que vai saber se tem condição ou não de pagar o aluguel social como já foi pago em 2014”, pontuou o coordenador da Defesa Civil, Oliveiro Luz, em entrevista a rádio Cidade Modelo FM.

 





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