buscado recentemente

Temer 'quase' renunciou em maio, diz aliado


Presidente foi gravado em conversa comprometedora com Joesley Batista


De acordo com matéria publicada nesta segunda-feira (13) na Folha de São Paulo, o presidente Michel Temer esteve próximo de renunciar seu mandato, nas tensas horas que se seguiram à revelação de que ele havia sido gravado de forma comprometedora no porão do Palácio do Jaburu.

Áudio de uma sessão sigilosa da CPI da JBS obtido pela Folha revela, no entanto, um dos principais aliados de Temer afirmando ter testemunhado, dentro do gabinete presidencial, a quase renúncia.

"Ele quase derrubou o presidente naquele dia 17. O complô era pro dia 18 o presidente renunciar. Quase conseguiu fazer o presidente renunciar! [eleva a voz] E quem tá lhe falando é quem tava dentro do gabinete!"

A fala é do relator da CPI, o peemedebista Carlos Marun (MS), um dos mais estrepitosos defensores de Temer no Congresso, integrante da tropa que liderou a rejeição das duas denúncias da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o presidente.

O áudio é da sessão secreta do dia 18 de outubro, quando a comissão ouviu o depoimento do advogado e delator da JBS, Francisco de Assis e Silva.

O "ele" a quem Marun se refere é Joesley Batista, responsável por gravar Temer.

O deputado do PMDB sugere, na sessão, que Assis e Silva aconselhe o dono da JBS, seu chefe, a fazer uma nova delação, revelando como foi o processo de negociação e obtenção de provas da colaboração que gerou uma crise política na atual gestão.

O recado é para que Joesley, que está preso desde o início de setembro suspeito de ter omitido informações em sua delação, delate agora o então procurador-geral da República Rodrigo Janot, que comandou o acordo de colaboração dos executivos da gigante das carnes.

Aliados de Temer sustentam que Janot tinha o objetivo de derrubar o governo e que, por isso, induziu e orientou de forma ilegal toda a produção de provas.

"A flecha saiu pela culatra", ironizou Marun, em referência à frase do ex-procurador-geral –"enquanto houver bambu, lá vai flecha"– de que continuaria apresentando denúncias até o último dia de sua gestão.

Janot deixou o cargo em 17 de setembro. Antes de sair, pediu a suspensão dos benefícios de dois delatores, Joesley e Ricardo Saud –também preso atualmente.

A nova procuradora-geral, Raquel Dodge, é quem vai definir o futuro dos acordos.

Procurado neste domingo, Temer negou que tenha pensado em renunciar. "Prezada jornalista, não, isso nunca ocorreu", escreveu a assessoria de imprensa do Planalto.





© Copyright ClubeSAT 2017. Todos os direitos reservados.