Publicado em: 28/07/2017   -   Atualizado: 28/07/2017 16:47:45

A valsa dos gastos públicos

Depois da aprovação da reforma trabalhista, numa forma atenuada dessa medida, lançou-se um Plano de Demissão Voluntária, um PDV

Então sim, estamos em crise, grave e forte crise econômica e política (siamesas xipófagas!), nos resta conjecturar como diminuir o impacto delas sobre nossa minguada renda e poder de compra.

O governo ineficiente clássico, onde se gasta o máximo para alcançar o mínimo de resultado, quando há resultado, se vê encurralado em uma situação em que o Presidente da República, acuado e pressionado, busca sobreviver numa cena digna de circo, onde o equilibrista gira pratos simultaneamente e tenta levar a opinião pública que o tem na pior conta possível (pesquisa ibope divulgada ontem o colocou com aprovação de 5%!), um congresso que é domado apenas com doses cada vez mais cavalares de dinheiro (seja via propina ou emendas), empresariado cada vez mais insatisfeito e ávido por mudanças positivas, mesmo que a reforma trabalhista tenha sido um ganho para o empresariado, ainda estamos em paralisia de consumo e uma imagem geral do país em face da ordem econômica mundial definhando rapidamente, é muita coisa ruim acontecendo ao mesmo tempo...

Uma coisa que chama a atenção dentro deste emaranhado, é que pouco depois da aprovação da reforma trabalhista, numa forma atenuada dessa medida, lançou-se um Plano de Demissão Voluntária, um PDV, figura não vista há tempos por estas paragens. Observe-se que o mesmo veio por meio de Medida Provisória, ou seja, feito e posto em vigor exclusivamente pelo Poder Executivo para apreciação em 120 dias pelo Legislativo, talvez por pressa, mas provavelmente para evitar mais uma frente de negociação com o Congresso nessa hora de gerir a recepção da Denúncia contra o Presidente...

Esse PDV tem peculiaridades, presta-se a reduzir os gastos com servidores, coisa de 300 bilhões ano, mas com impacto previsto de 1 bilhão, pouco significativo. O PDV prevê um desligamento não só do serviço público, mas a perca dos efeitos previdenciários para todos os fins, quem em sã consciência aderirá a esse plano? A busca pela estabilidade que o cargo público efetivo gera movimenta uma bem azeitada indústria de concursos públicos...

O PDV permite, em paralelo, outras possibilidades: a inédita redução de jornada e a consequente diminuição da remuneração correspondente, preservando-se aí o vínculo e a contagem de tempo de serviço. Decerto, reduzindo os valores a serem auferidos pós concessão de benefícios, também se prevê a possibilidade de concessão de licenças para tratar de assuntos particulares, sem remuneração, mas conservando-se o vínculo com o serviço público, essa figura já existe mas é pouquíssimo utilizada, veremos se mudará...

Nessa marcha, vejo que é ainda mais impopular e ineficiente esta medida, cargos comissionados não são objeto de cortes, o cargo efetivo que é provido por quem provou, por mérito próprio, ter condições de exercer a função pública, é alvo de redução... tudo para uma economia mínima... mais uma cortina de fumaça...

Fonte: Ilana Alencar
Publicado por: Ilana Alencar

Tags: congresso, PDV, Plano de Demissão Voluntária, reforma trabalhista, Temer
Publicado em Cosmopolítica
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