Publicado em: 07/08/2017  

Duro de matar

O presidente não tem freios nem limites no seu firme propósito de terminar o mandato

Desde a votação da Câmara dos Deputados dessa semana, me vi meditando sobre o que escrever. Tenho natureza iconoclasta e meio que incendiária, também venho acalentando a queda deste governo como modo de demonstrar que a limpeza no Brasil não será parada por nenhuma força, me exaspero...

As conclusões acerca do processo de votação são as seguintes: ainda que não seja uma surpresa visualizar a postura patética dos nossos deputados ao justificar seus votos (ressalto aqui que não é preciso fazer isso, bastava votar e correr), testemunhar é mais dolorido do que intuir, e o presidente não tem freios nem limites no seu firme propósito de terminar o mandato, casou a fome e a vontade de comer... o problema nem era o seguimento da denúncia em si, mas a previsão constitucional de que, uma vez permitido seu curso, o afastamento do Presidente é imediato, isso sim era o que estava se decidindo, ser processado em si era o de menos.

Na total pureza infantil, declaro que autorizar o prosseguimento de uma denúncia, deveria ser óbvio, defesa o nosso presidente teria e, estando limpo (o que realmente é difícil de acreditar diante da contundência do já juntado), sairia desse processo fortalecido pela decretação de inocência.

Observamos estarrecidos um desfile de parlamentares se posicionando pela estabilidade das instituições, bem como pela continuidade da recuperação econômica para justificar sua permanência. Acho que as instituições se fortalecerão quando sua integridade for mais importante que todo o restante, que o combate à corrupção ultrapasse essas ideias plantadas de que o país não sobreviveria a uma segunda mudança de comendo, acho que sim, sobreviveria, acho que sim, a instabilidade pode ser debelada sem que se tenha que aturar mais um corrupto se segurando em artifícios outros... a economia não confia apenas em Michel Temer para deslanchar, essa prudência subserviente, regada a milhões de reais injetados em emendas, propinas sem fim e que trouxeram essa preocupação súbita dos nossos deputados com a economia, não me convence.

Rodrigo Maia o substituiria, alinhado com a política econômica em curso, não seria exatamente uma ruptura traumática e nem jogaria o Brasil num mar de insegurança, como apregoado. A equipe econômica provavelmente se manteria sem grandes alterações. O argumento que ouvi de que era contra o retorno do PT é muuuito ruim, como foi citado, o sucessor seria Rodrigo Maia e em nenhum momento vislumbro uma ascensão petista nessa linha sucessória. Inclusive, os votos petistas foram sim por revanchismo e sim, para vingar o afastamento do poder, o que nem é surpreendente e nem se poderia esperar outra coisa, oposição se opõe e é isso.

Mais uma vez, se mostrou o apego do congresso ao poder e suas benesses e o fisiologismo do PMDB e PSDB, nada mais triste do que ver isso, relevando-se que a vitória ficou um pouco abaixo do esperado pelo governo, pois a dissidência dessa base ainda está ali recalcitrando. Cuidado, Presidente! A maioria para sua agenda está ameaçada, o número de deputados não é suficiente para vencer uma votação como a da PEC da Reforma da Previdência!!! Tenho medo de onde sairá o dinheiro para convencer esses deputados a migrar para o aconchego do colo do governo.

A bancada ruralista, agraciada com a bagatela de 10 bilhões em perdão de dívidas (sim, o país quebrado e que nada pode, deixa de cobrar suas dívidas) e famosa pela sua voracidade, não deixará de buscar mais modos de se refestelar no banquete de verbas que ainda terá que ser ofertado.

Além dos deputados e buffets finos de Brasília que vivem lua de mel com o governo que distribui verbas em lautos jantares, o resto de nós se indigna a cada dia com os descalabros que se vem fazendo numa guerra pela permanência no poder que, eu confesso aqui, muito me surpreende. Michel Temer tem vencido muitas batalhas, se mostrado grande estrategista e se segurando em muitas situações bastante desfavoráveis, comemora mais um round e mais um pedacinho de mandato... temos que admitir, ninguém apanha como Temer (qual Bruce Willis, ele é duro de matar!). Não terá sossego, não terá paz em curto prazo, nova denúncia será apresentada, nova votação será feita e assistiremos mais uma versão dessa palhaçada... assim a estabilidade não se fez, a distribuição de propina não acabou e ninguém saiu vencedor de verdade. 

Fonte: Ilana Alencar
Publicado por: Ilana Alencar

Tags: Câmara dos Deputados, Michel Temer, pec, pmdb, PT, Reforma da Previdência, Rodrigo Maia, votação
Publicado em Cosmopolítica
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