Publicado em: 12/05/2017   -   Atualizado: 13/05/2017 18:38:45

O Brasil que nunca mais será…

Qual o novo Brasil que surge a partir da divisão ideológica e implosão institucional ? Qual a nova face do Brasil?

A eleição que nunca terminou, o pleito de 2014 ainda paira sobre o Brasil, numa situação absolutamente inédita: a polarização de um pleito eleitoral transcendeu seu resultado e se transplantou integralmente para a vida cotidiana. Um novo modelo social se instalou e a divisão ideológica (que nunca foi o forte do brasileiro!) virou rotina. Radicalizaram-se posições, e a insatisfação que levou multidões às ruas, gera intermináveis discussões reais e virtuais, chegou a hora de uma mudança enorme de paradigmas.

O Brasil que era nunca mais tornará a ser. O novo Brasil de coxinhas e mortadelas não tem espaço pra moderação e a tolerância vem sendo minada. As pessoas criam amores e ódios instantâneos com base exclusiva em posicionamento político, novidade absoluta nestas terras... Mas há uma mudança muito positiva em meio a essa crise de identidade, um novo personagem apareceu: o brasileiro neo ideologizado.

O povo “cordial” descrito por Darcy Ribeiro: o que tudo aceita e nada revolta, está em metamorfose, a letargia histórica dá sinais de que "não mais" e isso é bom. Nos novos tempos não se mais pode se levar pelos clichês repetidos à exaustão: “Gente poderosa nunca paga pelos crimes”, “Ricos não passam mais do que um dia presos”, “Os políticos sempre se acobertam (essa parte é a mais divertida, as delações são sempre uma novela)”, “Ninguém vai fazer nada nunca”…

O sistema implodiu, não há dúvida. Cumprindo pena (mesmo que alguns no conforto do lar), grandes e poderosas figuras de José Dirceu a Antônio Palocci, passando por Marcelo Odebrecht (o incendiário) a Eike Batista, um novo Brasil catártico nasceu…

O Judiciário saiu da condição de discreto poder não oriundo da vontade popular à vedete, toda a ação e determinação do curso do país hoje estão judicializados, o herói nacional da vez é um juiz federal de primeira instância, isso é a absoluta mudança. Sérgio Moro se transformou na esperança brasileira de efetividade da maior e mais ambiciosa operação já deflagrada nestas paragens, nada mais será como antes, há outro Brasil depois da Lava Jato.

Mas afinal, qual a origem dessa forma de governar dominada pela corrupção? A própria criação do sistema de governo brasileiro na Constituição de 1988 favorece a corrupção. Nosso Presidencialismo com forte tempero parlamentarista (um híbrido indeciso) cria uma interdependência que não gerou freios e contrapesos, e sim, descambou para uma degenerada troca de favores e negociações eternas sobre cada deliberação na base de propinas e trocas de cargos, deu-se a pior combinação possível.

Em paralelo as campanhas políticas milionárias e seus financiamentos escusos completam esse círculo retro alimentado de corrupção com o comprometimento dos agentes políticos e seus financiadores.

A avidez de retorno do financiamento feito criou o monstro. Aqui ou você tem a sorte de ser o palhaço que canaliza o protesto e se elege sem grandes gastos em um golpe de sorte, ou realmente precisa de muito dinheiro para fazer face aos custos de uma campanha que viciou o eleitor, o qual se anima com a possibilidade de faturar algum lucro imediato (mesmo comprometendo seu futuro).

Mas a crise institucional rompeu a tranquilidade do operador do sistema, promoveu uma assepsia e uma releitura profunda. Isso tem um rescaldo extremamente positivo: a rota foi alterada, o curso nunca mais será o mesmo, esse momento histórico é único e as possibilidades inúmeras.

É possível aproveitar essa onda iconoclasta e renovar de forma efetiva com a reforma política que tramita no congresso nacional. Dá para adequar nosso sistema presidencialista a uma forma mais efetiva e eficiente de gestão, principalmente mudar a visão da população sobre a responsabilização de cada agente sobre seus atos.

A polarização permite uma oposição forte, uma vigilância maior, uma cobrança de resultados e uma democracia sólida. O novo Brasil vai se fazer assim, com a fiscalização ampla e punição dos responsáveis pelos desvios.

O crescimento do conservadorismo como reação é tendência mundial, a crise econômica detonada em 2007, e que atingiu a economia no mundo, trouxe uma insatisfação então latente com a condução social democrata e vem trazendo mais e mais países a um posicionamento cada vez mais à direita. Essa vertente vem florescendo no Brasil também, aqui os “coxinhas” têm a sua versão Tupiniquim, mas isso é assunto para a próxima vez.

Fonte: redação
Publicado por: Ilana Cinthia Ferreira Alencar

Tags: Brasil, ideologias, polarização, politica interna, reforma politica
Publicado em Cosmopolítica
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virna 10 semanas atrás

Difícil é saber se, eles são honestos e realmente vão lutar pelo que defendem. O melhor jeito de descobrir isso é tendo muita informação. Buscar conhecer a carreira do candidato e ver se as promessas são viáveis e compatíveis com o cargo que ele pretende ocupar. “Promessa genérica é muito fácil de fazer. Melhor é apresentar planos concretos para resolver os problemas”,

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Cristiane 10 semanas atrás

Escrita sensata e coerente quanto ao contexto atual. Uma boa leitura em tempos de radicalismos.

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Magalhães Filho 10 semanas atrás

Muito boa a abordagem sobre a mudança comportamental e ideológica do brasileiro. Torcemos para que essas mudanças culminem com uma melhor escolha nas eleições e em uma constante cobrança dos eleitos; que, esses sim, precisam urgentemente repensar a sua existência e se tornar um fator de mudança para esse país.

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